
Seia assinalou os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela evocando a memória e o conhecimento da montanha
Integrada no programa comemorativo promovido pela Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, a iniciativa decorreu no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela e teve início com a inauguração da exposição "Serra da Estrela: Memórias da Vida Agropastoril", composta por uma seleção de fotografias e documentos recolhidos por Alberto Martinho, entre 1970 e 1971, no Sabugueiro, no âmbito da sua investigação sobre as comunidades serranas. Esta mostra, que estará patente no CISE durante o verão, constitui um importante testemunho da vida agropastoril da Serra da Estrela e da relação secular entre as populações e a montanha.
Seguiu-se um momento de reconhecimento ao professor Alberto Martinho, natural do Sabugueiro, sociólogo, antropólogo e investigador que dedicou grande parte da sua vida ao estudo da Serra da Estrela, das suas comunidades, da pastorícia e da produção do Queijo Serra da Estrela. Integrando a primeira equipa técnica do Parque Natural da Serra da Estrela enquanto sociólogo, deixou um legado científico e humano que continua a constituir uma referência para o conhecimento, preservação e valorização deste território.
A sessão prosseguiu com uma conversa evocativa com Alberto Martinho, Angelina Barbosa, Narciso Ferreira e António Serafim Correia, membros fundadores do Parque Natural da Serra da Estrela. Num ambiente de partilha de memórias, recordaram a criação do Parque, os desafios dos primeiros anos e o trabalho desenvolvido na valorização do património natural e cultural da Serra da Estrela, destacando o contributo para a afirmação do Queijo Serra da Estrela e para a preservação das atividades tradicionais que continuam a definir a identidade da montanha.
Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, destacou a importância da primeira equipa técnica do PNSE e sublinhou a singularidade da Serra da Estrela enquanto território profundamente humanizado, onde a presença das comunidades, a pastorícia e a produção do Queijo Serra da Estrela fazem parte da própria identidade da montanha.
O autarca salientou ainda que a preservação destas atividades tradicionais continua a desempenhar um papel fundamental na gestão da paisagem e na redução do risco de incêndio rural, reforçando a importância de conciliar a conservação da natureza com a valorização das comunidades que vivem e trabalham na Serra.









