
Lavrov reúne-se com ex-PR senegalês que aspira suceder a Guterres na ONU
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, reuniu-se hoje, em Moscovo, com o ex-presidente do Senegal Macky Sall, candidato a suceder a António Guterres no cargo de secretário-geral das Nações Unidas (ONU).
"O interlocutor apresentou o seu programa eleitoral. O ministro explicou a Sall os requisitos que a Rússia exige aos candidatos ao mais alto cargo da ONU", lê-se num comunicado publicado no sítio oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.
"Ambas as partes reafirmaram o seu compromisso com o papel central de coordenação da ONU nos assuntos internacionais", acrescenta.
Nos últimos meses, Lavrov reuniu-se também com outros candidatos à sucessão de Guterres, incluindo a ex-presidente chilena Michelle Bachelet.
Este encontro surge no mesmo dia em que o Senegal anunciou o apoio à candidatura de Macky Sall para secretário-geral da ONU, numa mudança de posição depois de um encontro entre o ex-chefe de Estado e o seu sucessor, Bassirou Diomaye Faye.
Até agora, Dakar não tinha manifestado apoio a Macky Sall, que liderou o Senegal entre 2012 e 2024.
A sua candidatura não foi apresentada pelo próprio país, como é habitual, mas pelo Burundi, que exerce atualmente a presidência rotativa da União Africana (UA).
No final de março, cerca de vinte Estados-membros da União Africana, entre os quais o Senegal, recusaram apoiar a candidatura de Macky Sall para suceder a António Guterres no cargo de secretário-geral das Nações Unidas.
O antigo presidente é acusado pelas atuais autoridades senegalesas, no poder desde abril de 2024, de ter reprimido de forma severa as manifestações da oposição entre 2021 e 2024, das quais resultaram dezenas de mortos no país.
Contudo, Dakar alterou agora essa posição, três dias após uma breve visita de Macky Sall à capital senegalesa.
Mais de dois anos após ter deixado o poder, em abril de 2024, no final de dois mandatos, Macky Sall regressou na sexta-feira a Dakar, onde foi recebido por milhares de apoiantes.
A visita foi criticada pelos seus opositores, que exigem que seja feita justiça sobre as dezenas de homicídios ocorridos durante os seus mandatos.
O atual Governo acusa ainda o antigo presidente de ter ocultado uma parte significativa da dívida pública, agravando a situação económica do país.









