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Região com coberturas vacinais “invejáveis” para todo o país

Na ULS Viseu Dão Lafões foram administradas no ano passado 188.460 vacinas, das quais mais de 74 mil corresponderam à vacinação contra a gripe

O subdiretor-Geral da Saúde, André Peralta Santos, elogiou esta manhã os resultados obtidos pela Unidade Local de Saúde Viseu Dão Lafões no que diz respeito à vacinação, sublinhando que foram atingidas na região “coberturas vacinais invejáveis para todo o país”.
O responsável falava no auditório do Hospital São Teotónio, em Viseu, onde decorreu a apresentação pública dos relatórios de avaliação da campanha de vacinação sazonal 2025-2026 e da avaliação do Programa Nacional de Vacinação 2025, sublinhando que a vacinação em Portugal “é uma história de sucesso, porque ao longo dos últimos 16 anos os esforços coordenados da sociedade portuguesa, do setor político, técnico, dos municípios e dos profissionais de saúde conseguiram construir uma política pública que protegeu milhões de portugueses”.
“É uma história inacabada, porque continuará a ser escrita com base na ciência, na inovação, na equidade, no acesso universal e gratuito. O nosso compromisso é de aperfeiçoamento contínuo dos programas de vacinação”, acrescentou.

André Peralta Santos2

Na opinião do subdiretor-Geral da Saúde, “a confiança na vacinação é o desafio da próxima década”. Face ao surgimento de “movimentos radicais, anti-ciência, que colocam em causa as bases da confiança”, lembrou que “as vacinas são um medicamento, não estão isentas de risco, mas são altamente escrutinadas”.
“Apesar de ténue, já observamos algum crescimento desta hesitação vacinal em Portugal, com maior expressão na região do Algarve, da Grande Lisboa e também do Alentejo”, admitiu André Peralta Santos, no entanto, deu os parabéns “ao município de Viseu e à ULS Viseu Dão Lafões, que continuam imunes a estes novos desafios populacionais e apresentam coberturas vacinais que são invejáveis para todo o país”.
De acordo com o responsável, o desafio da próxima década é manter os níveis de vacinação e reforçar a confiança da vacinação na população, apostando também na “inovação com sustentabilidade”.

“Portugal investe cerca de 1% da despesa pública em saúde na vacinação e essa percentagem tem crescido nos últimos anos. Isso sinaliza a importância que a Direção-Geral da Saúde dá à inovação, ao facto de queremos ter mais vacinas e melhores vacinas para proteger os portugueses”, explicou.
“Novas vacinas e novos anticorpos monoclonais podem significar que conseguimos proteger melhor as nossas crianças e os nossos adultos e conseguimos ter um futuro com menos doença. Mas temos um capital que queremos preservar. Não damos passos em falso na vacinação. Todas as nossas recomendações são baseadas em ciência, num contexto português e num compromisso com a sustentabilidade do sistema de saúde que é por nós assumido e que queremos que seja partilhado por todos”, finalizou.

António Sequeira

O presidente do conselho de administração da ULS Viseu Dão Lafões, António Sequeira, considerou a escolha de Viseu para a sessão “um reconhecimento do trabalho desenvolvido diariamente pelos profissionais que integram a Rede Nacional de Vacinação”.
“A vacinação continua a ser uma das intervenções de saúde pública com o maior impacto na reputação das populações”, defendeu, acrescentando que, “num contexto em que a desinformação desafia a confiança dos cidadãos, torna-se ainda mais importante valorizar a ciência, a evidência e a avaliação rigorosa dos resultados”.
“Na ULS Viseu Dão Lafões, a vacinação constitui uma prioridade estratégica. Em 2025 foram administradas 188.460 vacinas, das quais mais de 74 mil corresponderam à vacinação contra a gripe. Estes números traduzem-se em pessoas protegidas, doença evitada e vidas preservadas. Quero por isso deixar um público agradecimento a todos os profissionais da ULS”, referiu.

Marta Rodrigues1

A vereadora da Câmara Municipal de Viseu, Marta Rodrigues, por sua vez, destacou que “poucas medidas tiveram um impacto tão profundo na redução da mortalidade, na erradicação de doenças, no aumento da esperança de vida e na proteção das nossas populações”. “Mas a vacinação representa muito mais do que um ato clínico. Representa uma escolha coletiva. A escolha, sobretudo, de investir na prevenção, de proteger os mais vulneráveis e de garantir que as populações cresçam mais saudáveis e com melhor qualidade de vida”, acrescentou, referindo ainda a recente aposta na criação dos balcões SNS 24.

Portugal confia na vacinação

No que diz respeito aos relatórios de vacinação, indicam que “Portugal confia na vacinação”. Segundo o documento, “no ano em que foram administradas cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas, o equivalente a aproximadamente uma dose a cada nove segundos, voltou a verificar-se o cumprimento da generalidade das metas nacionais de cobertura vacinal nas diferentes coortes e vacinas analisadas”. As poucas exceções identificadas são explicadas pela utilização residual de esquemas vacinais de recurso, distintos dos esquemas universalmente recomendados.
A avaliação do Plano Nacional de Vacinação em 2025 “demonstra a manutenção de níveis elevados de cobertura vacinal em Portugal, confirmando a robustez do Programa e a persistência de uma elevada adesão da população à vacinação”. As diferenças observadas entre 2024 e 2025 foram reduzidas, mantendo-se a maioria das vacinas com coberturas superiores a 95%, valor considerado adequado para assegurar elevados níveis de proteção da população.
Entre os resultados mais favoráveis destaca-se a melhoria observada em várias vacinas da infância, nomeadamente, na vacinação contra infeções por N. meningitidis do serogrupo B e na vacinação contra infeções por S. pneumoniae, acompanhada por um aumento do número de municípios que atingiram a meta de 95% de cobertura vacinal.
Também a vacinação contra infeções por vírus do papiloma humano (HPV) continuou a evidenciar uma evolução positiva, particularmente no sexo masculino, refletindo a consolidação da vacinação universal iniciada em 2020.
Observou-se igualmente uma melhoria das coberturas vacinais em adultos, sobretudo aos 65 anos, bem como um aumento da vacinação contra a tosse convulsa durante a gravidez, indicadores que refletem o reforço da vacinação ao longo do ciclo de vida.

Julho 1, 2026 . 13:00

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