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Sociedade Portuguesa de Matemática questiona rigor e equidade do exame

A SPM levanta dúvidas quanto à avaliação externa de alunos com diferentes aprendizagens, argumentando que os itens alternativos não são comparáveis em termos de rigor, nível de exigência e de complexidade

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) apontou hoje críticas ao exame nacional de Matemática A do 12.º ano, realizado na terça-feira, questionando o rigor e equidade da prova que contou com perguntas alternativas adaptadas a dois currículos.

Os finalistas do ensino secundário realizaram, na terça-feira, a prova Matemática A, mas nem todos foram a exame com o mesmo currículo, uma vez que algumas turmas estão, desde 2023, a implementar novas Aprendizagens Essenciais (AE) no âmbito de um projeto-piloto.

O enunciado contou, por isso, com um conjunto de itens em que os alunos podiam optar entre duas perguntas, em função do currículo (“AE homologadas em 2018” ou “AE homologadas em 2023”).

Critica das novas AE, que considera reduzir o rigor matemático, a SPM levanta agora dúvidas quanto à avaliação externa de alunos com diferentes aprendizagens, argumentando que os itens alternativos não são comparáveis em termos de rigor, nível de exigência e de complexidade.

“A falta de equilíbrio no rigor e na complexidade dos itens alternativos compromete não apenas a equidade na avaliação, mas também a confiança no processo avaliativo, levantando dúvidas sobre a sua capacidade de refletir, de forma justa, os conhecimentos e capacidades de todos os alunos”, refere, num parecer divulgado hoje.

Num parecer anterior, a SPM já alertava que seria “praticamente impossível” desenhar um exame único equilibrado, por considerar que os objetivos de aprendizagem dos dois currículos são “profundamente diferentes”.

No entender dos especialistas, as duas versões de AE apresentam disparidades estruturais que comprometem a avaliação através do mesmo exame dos alunos, com “consequências graves para a validade do exame e, consequentemente para a justiça que as provas de avaliação devem promover no sistema educativo”.

A SPM critica ainda a existência de seis itens entre os quais só é contabilizada para a classificação final a resposta às três perguntas com melhor pontuação.

Sublinhando que, no limite, um aluno pode obter a classificação máxima (20 valores) mesmo que tenha errado alguma pergunta, a SPM considera que esta metodologia iguala alunos com desempenhos distintos.

“Esta decisão, que visa mitigar eventuais dificuldades pontuais dos alunos, compromete a capacidade da prova para discriminar adequadamente diferentes níveis de desempenho”, acrescenta.

Olhando para o enunciado em geral, a SPM considera que a prova da 1.ª fase foi, este ano, mais fácil em comparação com os anos anteriores, devido à aproximação às AE homologadas em 2023.

Além da ausência de itens desafiantes, a SPM reafirma que os novos documentos orientadores passaram a incluir conteúdos que implicam um menor rigor matemático e menor preocupação com a validade matemática dos conteúdos, excluindo, por outro lado, algumas matérias, mudanças que, segundo os especialistas, criam inconsistências e limitam raciocínios dedutivos.

Junho 24, 2026 . 16:25

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