A caminho do mundial: Do orgulho à crítica em noventa minutos
Multiplicam-se as análises, os debates, as opiniões e, claro, as inevitáveis discussões sobre quem devia ou não estar entre os convocados.
Ao mesmo tempo que os jogadores iniciavam os trabalhos, uma equipa portuguesa partia para representar o país noutra frente. A equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro viajou para mais um desafio internacional de enorme relevância.
Independentemente das opiniões que cada um possa ter sobre as suas atuações em Portugal, a verdade é que esta nomeação demonstra o reconhecimento internacional da competência da arbitragem portuguesa.
Quando alguém chega a este patamar, o mínimo que merece é respeito pelo percurso realizado. Ainda a bola não começou a rolar, já existem vencedores e vencidos na opinião pública.
Há quem considere a convocatória perfeita e há quem encontre erros em praticamente todas as escolhas. É um fenómeno tipicamente português. Gostamos de discutir futebol e isso faz parte da nossa identidade. O problema é quando passamos do debate para os julgamentos antecipados.
Somos um país de extremos. Se Portugal vencer ou se se fizer uma grande campanha, as escolhas do selecionador serão vistas como geniais.
Os jogadores serão elogiados, os críticos desaparecerão e todos dirão que acreditaram desde o primeiro momento.
Mas se os resultados não aparecerem, os mesmos jogadores que hoje recebem elogios passarão a ser questionados. As opções que hoje parecem acertadas transformar-se-ão em erros evidentes. O treinador passará de visionário a incompetente em poucos dias.
Vivemos muitas vezes entre o oito e o oitenta. Falta-nos, por vezes, a capacidade de analisar com equilíbrio. O futebol é feito de vitórias e derrotas, de momentos bons e momentos menos conseguidos.
Nem tudo está certo quando se ganha, nem tudo está errado quando se perde. Portugal possui uma geração de enorme qualidade, com jogadores espalhados pelos melhores campeonatos do mundo. Tem experiência, talento e ambição suficientes para sonhar. Sonhar não custa e faz parte da paixão pelo futebol.
Mas também devemos perceber que as grandes competições são cada vez mais equilibradas e que o sucesso nunca está garantido.
Por isso, agora que a Seleção começou a trabalhar, talvez o melhor seja fazer aquilo que tantas vezes esquecemos, apoiar primeiro e avaliar depois.
Haverá tempo para elogios e para críticas. Haverá tempo para analisar decisões e resultados. Até lá, que devemos estar unidos em torno daquilo que verdadeiramente importa.
Porque quando Portugal entra em campo, ganhando ou perdendo, representa muito mais do que onze jogadores. Representa um país inteiro. E um país não devia mudar de opinião ao sabor de cada resultado.





