
Aviação estima metade dos lucros em 2026 apesar de aumento de passageiros
As companhias aéreas estimam que os resultados líquidos e a margem de lucro atinjam este ano metade do verificado no ano passado, por causa do impacto associado à guerra no Médio Oriente, apesar de uma subida de passageiros.
Os dados foram hoje divulgados pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), que publicou a sua previsão para este ano, em que espera uma “diminuição para metade da rendibilidade devido às disrupções relacionadas com a guerra no Médio Oriente” – de 4,2% em 2025 para 2,0% este ano.
No total, os lucros das companhias aéreas deverão recuar de 45 mil milhões de dólares em 2025 (39 mil milhões de euros, ao câmbio atual), para 23 mil milhões de dólares (20 mil milhões de euros).
As previsões da IATA antecipam que a descida dos lucros pode ocorrer mesmo com o aumento das receitas totais da indústria (+9,4% para 1,17 biliões de dólares (1,01 biliões de euros) e do aumento de passageiros, que devem crescer 2,4% face a 2025, para 5,1 mil milhões.
“As disrupções relacionadas com a guerra no Médio Oriente e o aumento dos preços dos combustíveis pioraram a previsão para as companhias aéreas. Globalmente, as companhias aéreas deverão ver os seus lucros em metade de 2025”, disse o diretor-geral da associação, Willie Walsh, citado em comunicado.
O responsável acrescentou que todos os resultados estão a ser impactados “pela rápida subida de 70% no custo do ‘jet fuel’”.
“Alguns dos custos adicionais estão a ser recuperados através de ajustes de preços e em melho0rias de eficiência, mas não será suficiente para manter a rendibilidade ao nível do ano anterior”, acrescentou Walsh.
A IATA faz ainda uma previsão por regiões e aponta que os resultados este ano deverão ser diferenciados conforme a localização da operação e rotas.
A associação internacional regista que as companhias aéreas no Médio Oriente deverão ficar ‘no vermelho’ devido à baixa procura e às disrupções operacionais, enquanto nas restantes regiões, apesar de continuarem com resultados positivos, os lucros deverão ficar abaixo das previsões anteriores.
Nesse sentido, Willie Walsh apontou que as transportadoras do Golfo Pérsico “enfrentam incerteza operacional depois de um quase total encerramento do espaço aéreo no início da guerra”.
O responsável registou ainda que as companhias aéreas estão a absorver a maior parte do choque do aumento dos combustíveis e que o lucro de 4,5 dólares por passageiro – contra 9,10 dólares em 2025 – poderá ser impactado com novos custos ou impostos.
A grande fatia da receita deverá ser apoiada nos bilhetes para passageiros (+9,2%, para 839 mil milhões de dólares), enquanto o transporte de carga deverá representar 162 mil milhões de dólares (+7,2%).
Quanto aos custos com combustíveis, o preço estimado com o barril de Brent é de 95 dólares e o de jet fuel de 152 dólares, o equivalente a subidas respetivas de 37% e 70%, devendo o consumo manter-se nos 104 mil milhões de galões (396 mil milhões de litros).
Já os custos gerais deverão avançar 4% (737 mil milhões de dólares), principalmente devido à variação de, também, 4% nos custos com pessoal (271 mil milhões de dólares). O número de funcionários deve crescer 1%, para 3,33 milhões de pessoas.
Entre os principais riscos identificados estão os desafios com a cadeia de abastecimento, as eleições, o risco de estagflação e os constrangimentos com infraestruturas.
A IATA também divulgou os resultados de um inquérito junto de 6.500 consumidores de 15 países sobre a aviação, tendo 97% expressado satisfação com a sua última viagem e 88% concordado que os voos comerciais tornam as suas vidas mais simples.
No seu discurso, também publicado no portal da IATA, Willie Walsh defendeu que voar “não é um luxo”, mas sim “um serviço essencial e um catalisador económico” e criticou a intenção do Brasil em aplicar IVA a 26,5% sobre os bilhetes de aviação.
Segundo o responsável, uma subida destas significaria que “até 3,6 milhões de voos internacionais desapareceriam”, o que o levou a deixar um aviso ao Governo liderado por Lula da Silva: “o que o Governo vai ganhar em receita é mínimo em comparação com o impacto económico causado”.
Willie Walsh também defendeu uma reforma do regulamento da Comissão Europeia sobre os Direitos dos Passageiros Aéreos, de 2004, que estabelece regras sobre compensação e assistência em caso de recusa de embarque, cancelamentos ou atrasos prolongados. “É a coisa certa a fazer pelos passageiros e pelas companhias aéreas”, disse, apontando para o custo anual de 8.000 milhões de euros.







