
Num "mundo apressado", o turismo vende tempo para parar
"E se o verdadeiro luxo fosse desligar?" Eis a questão que deu mote ao segundo painel do fórum Vê Portugal, que está a decorrer em Viseu. Uma conversa que juntou saúde, bem-estar e, adivinhe-se, o chamado slow tourism, a tendência que está a conquistar cada vez mais viajantes em busca de experiências mais autênticas e um ritmo de vida menos acelerado.
Sob o tema "Saúde, bem-estar e a tendência crescente do slow tourism", este segundo painel do dia reuniu Nuno Leandro, presidente Visit Azores, Chitra Stern, CEO Grupo Martinhal Family Hotels & Resorts, Victor Leal, presidente Associação Termas de Portugal, e ainda João Peral, Consultor / Partner Organica, oradores que defenderam que o "turismo do futuro" é ligação ao território e momentos genuínos.
Para Nuno Leandro, "o novo luxo já não é ter mais, mas sim conseguir desligar", num mundo onde "a pressão constante e a fadiga" insistem em ganhar. "Temos geografias fantásticas e é isso que nos vai distinguir", garantiu, reforçando a importância de "criar experiências com menos ruído e mais tempo útil".
Já Chitra Stern, com resorts no sul do país, destacou o segmento de slow tourism para famílias, um nicho que apostam desde 2001. E, por isso, uma das ofertas vencedoras é, exemplificou, "conectar, abrandar, boa comida, bom vinho português e spa".
Uma ideia que se complementa com o papel crescente do termalismo neste nova forma de viajar. Recordando que a região de Viseu Dão Lafões é a "capital do termalismo", Victor Leal enquadrou estes espaços como sendo "muito mais do que terapia", mas uma experiência envolvente. "As termas são uma oportunidade, na qualidade, oferta, sustentabilidade e uma nova forma de praticar turismo", sublinhou.
Ainda assim, insistiu, "tem que haver diferenciação" num universo onde o "termalismo (...) tem que ser defendido para se afirmar como um novo segmento de saúde e bem-estar".
A concluir, João Peral desafiou o público a um pensamento inverso: "se calhar o novo luxo é ligar", onde o objetivo é "fazer com que o slow passe a ser cool" e desconstruir "alguns desafios do desacelerar".







