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Vamos falar de tabaco?! Uma conversa hoje pode proteger o amanhã das nossas crianças

Maio 28, 2026 . 21:30
Decorridas quase 4 décadas desde a sua criação, em 1988, a celebração do Dia Mundial Sem Tabaco, no próximo dia 31 de maio, continua tão pertinente como então.

A data, instituída pela OMS (Organização Mundial de Saúde), visa desencorajar o consumo de tabaco e consciencializar a população e o poder político para a adoção de medidas promotoras de um estilo de vida livre de produtos de tabaco.

Embora se tenham registado progressos consideráveis nos últimos anos, a batalha está longe de terminada: o tabagismo continua a ser o maior fator de risco evitável para a saúde e a principal causa de morte prematura na UE, contabilizando quase 700 000 mortes/ano. Como afirmou o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em novembro passado, na conferência da Convenção Quadro da organização para a Luta Anti-Tabaco "As escolas são a nova frente da guerra contra o tabaco e a nicotina, onde as empresas recrutam ativamente uma geração de viciados".

Apesar do uso de tabaco de combustão estar a decair em Portugal, à semelhança dos outros países europeus, os adolescentes, particularmente entre os 13 e os 15 anos, optam cada vez mais pelos cigarros eletrónicos. Este mesmo fenómeno é referido no último inquérito realizado nas escolas, ESPAD (European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs), publicado em maio de 2025.

Para isso contribuem as táticas agressivas de marketing com embalagens e sabores apelativos, a publicidade difundida por influencers nas diferentes redes sociais”, a mensagem(enganosa), veiculada pela indústria, de que estas formas são praticamente inócuas. Somam-se ainda outros fatores como a pressão pelos pares e a determinação em parecer “fixe.

Sendo as medidas políticas manifestamente insuficientes para travar este flagelo, cabe a cada um de nós (pais, educadores, avós e comunidade em geral) introduzir, precocemente, esta temática. Assim, antes de abordar o tópico considere:

• Estar disposto(a) a ouvir mais e a falar menos! Demonstre que está realmente presente. Não transforme a conversa num interrogatório ou numa palestra;
• Agir com sensibilidade e empatia, não com criticismo! Em primeiro tente perceber que conceitos tem e qual a sua perspetiva. Isto constrói a confiança necessária para o resto da conversa e possibilita que no futuro sinta que pode procurá-lo(a) quando precisar de orientação;
• Escolher um momento casual, em que a criança esteja descontraída;
• Evitar usar o medo, o julgamento ou a dramatização! Isto coloca uma barreira defensiva, particularmente nos adolescentes mais velhos;
• Estar preparado(a) para perguntas sobre o tema. As crianças são naturalmente curiosas pelo que as questões podem surgir quando menos esperar. Não tenha receio. Se não souber a resposta aproveite a oportunidade para a encontrarem juntos;
• Adaptar a conversa à idade da criança, incluindo tópicos como quais são os seus sonhos e projetos tornando a conversa pessoal;
• Apoiar o seu filho(a) caso perceba que já teve ou tem contacto com produtos de tabaco. Um inquérito a pais constatou que 60% destes não sabiam que o seu filho(a) era utilizador(a) ou já teve contacto com cigarros eletrónicos! Caso ele(a) partilhe consigo, não tenha uma abordagem agressiva. Agradeça-lhe a honestidade e deixe-o(a) saber que está pronto(a) para o(a) ajudar;
• Aproveitar as oportunidades que, naturalmente, possam surgir. Não se limite a uma única “grande” conversa.

Lembre-se que não existe uma idade mínima para abordar o tema: muitas crianças contactam com produtos de tabaco em idades muito precoces, pelo que importa anteciparmo-nos.
Uma simples conversa, hoje, pode proteger o amanhã das nossas crianças!

(*) Pel’O Grupo Coordenador de Prevenção e Controlo do Tabagismo (GCPCT) de Viseu Dão Lafões

Maio 28, 2026 . 21:30

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