
Denúncias de violência ao Instituto de Apoio à Criança sobem em 2025
O IAC recebeu 618 denúncias de violência contra crianças no ano passado, um número que subiu em comparação com 2024, quando foram registadas 367, segundo dados enviados à Lusa, a propósito do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, que se assinala em abril.
De acordo com o instituto, dentro dos casos de violência estão situações de maus-tratos físicos, psicológicos na família, abuso sexual, negligência, abandono, maus-tratos institucionais, ʽbullying̓ e violência no namoro.
A Linha SOS Criança e Jovem do IAC registou há dois anos 2.151 pedidos de apoio e no ano passado 2.750.
Mais de metade dos casos de 2025 eram relativos a raparigas (55%).
A adolescência "continua a destacar-se como uma fase particularmente vulnerável, com maior incidência de sinalizações entre os 15 e os 17 anos, o que reforça a necessidade de respostas específicas dirigidas aos jovens", segundo um comunicado do IAC.
Dentro dos 2.750 pedidos de apoio, 1.179 correspondem a situações de saúde mental (ideação suicida, fobias, ansiedade), sendo que estes casos também subiram, uma vez que em 2024 foram contabilizados 951.
Segundo o presidente do IAC, Manuel Coutinho, os casos de violência contra crianças continuam “a ter uma grande expressão” nos contextos familiares e os mais frequentes são agressões psicológicas e físicas.
“À mínima coisa vem uma palmada, porque à mínima coisa vem uma tareia, porque à mínima coisa vem um castigo completamente desadequado”, disse à Lusa o presidente do IAC.
Manuel Coutinho referiu que nas situações de maus-tratos psicológicos, físicos e sexuais dentro das famílias as vítimas costumam ser crianças até aos 14 anos e que estes casos são denunciados ao IAC por adultos que conhecem os menores.
As denúncias e pedidos de apoio podem ser feitos ao IAC através da Linha SOS Criança e Jovem 116111, do número do Whatsapp (913 069 404) e do email [email protected].
Manuel Coutinho referiu que as situações de maus-tratos físicos e psicológicos são recorrentes e que ainda há “muito por fazer” para prevenir e evitar estes casos.
“É importante trabalharmos muito a nível da educação e da sensibilização das pessoas para que cada um perceba claramente que é responsável pela promoção e defesa dos direitos das crianças”, destacou o presidente do IAC.
Manuel Coutinho alertou ainda que “todos os meses do ano têm que ser claramente os meses da prevenção dos maus-tratos" na infância.
Para simbolizar o final do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, hoje, por volta das 10:00, 1.500 crianças vão formar um laço azul humano, no Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases, em Lisboa.
As crianças que vão participar são do Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar, Agrupamento de Escolas Professor Lindley Cintra e Casa Pia de Lisboa, sendo esta uma iniciativa da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE).








