Última Hora
Pub

Na Auto Travões Viseu, as peças ganham nova vida

Com mais de 40 anos de história, a empresa afirma-se pela capacidade de recuperar, e fabricar de raiz, peças que já não existem no mercado

Na Zona Industrial de Coimbrões, há uma empresa que prova que tradição e inovação podem andar de mãos dadas, e com bastante energia. A Auto Travões Viseu está ali há cerca de três décadas, mas a história começou ainda antes: são já 41 anos dedicados ao recondicionamento de travões, embraiagens e materiais de fricção.
Desde 2024, o negócio é gerido por Carmo e Adriano, que pegaram no testemunho deixado por Ramiro e Matilde Boloto, pais de Adriano. E, na verdade, para ele isto nunca foi novidade. “Em conjunto, estamos cá desde 2024. No entanto, o Adriano já cá está desde sempre”, contam, entre risos. “Ele acompanhou a abertura da empresa do pai”, acrescentam, recordando os primeiros tempos, ainda em Pascoal, a mudança para a Rua 21 de Agosto e, mais tarde, a construção de um espaço maior, sinal de que o negócio estava a crescer.
No entanto, nem tudo foi sempre em alta. “Tivemos um momento mais parado em 2021, fruto da pandemia”, admitem. Ainda assim, a empresa adaptou-se e seguiu em frente.
Hoje, trabalham sobretudo com oficinas, que lhes levam peças originais para recuperar, uma alternativa mais económica e sustentável face à substituição por peças novas. Mas há novidades a caminho: a ideia é abrir mais o serviço a clientes particulares.

Dsc 0762

O que fazem, explicam, é simples de dizer, mas exige muito knowhow: “Nós o que fazemos aqui é recondicionamento de travões e de embraiagens”. E há um lado ambiental importante neste processo. “Nós fazemos o recuperamento das peças que teoricamente iam para o lixo”, dizem. No fundo, recuperam peças originais, que consideram ser sempre as melhores, evitando desperdício e custos desnecessários. “Conseguimos fornecer a peça recondicionada a um custo bastante inferior, mas com a fiabilidade da original”.
Mas há mais, muito mais. É que, quando não existe solução no mercado… eles inventam-na. “Mesmo que não haja, nós conseguimos fabricar desde a parte zero”, garantem. Uma capacidade rara e que, dizem, não tem comparação em Portugal: “Ninguém consegue fazer o que nós fazemos”.

Empresa mantém o legado
Essa experiência vem também de tempos mais complicados no setor, como a fase em que o amianto foi retirado dos materiais de fricção. “Muitas fábricas fecharam porque não conseguiram adaptar-se”, lembram. Por cá, a história foi diferente: houve capacidade de adaptação, testes e evolução constante.
A empresa conta atualmente com nove pessoas, incluindo a gerência, e está organizada por várias áreas: desde a parte mais técnica, com retificação de discos, colagem de maxilas ou fabrico de peças, até ao balcão, onde vendem todo o tipo de material de fricção, para carros, indústria ou até aplicações mais específicas, como rally.
E o futuro? Está em construção, literalmente. “Queremos mudar a nossa loja e criar outro layout aqui dentro”, revelam. Além disso, querem crescer no mercado nacional. “Estávamos muito focados no norte, mas temos que nos dar a conhecer”.
O segredo, garantem, continua a ser o mesmo: “Qualidade, acima de tudo”. E também a capacidade de fazer o que mais ninguém faz, como peças à medida, especialmente para carros antigos.
No meio de tudo isto, há também espaço para reconhecer quem começou tudo. “Temos a responsabilidade e o privilégio de manter o legado”, sublinham. E se depender deles, a história continua por muitos anos. “Não vamos desistir. A ideia é ficarmos aqui até nos reformarmos”, dizem, em tom descontraído.
Porque no final, “para a frente é que é caminho”.

Abril 27, 2026 . 08:30

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Seguir
Receba notificações sobre
0 Comentários
Feedbacks Embutidos
Ver todos os comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right