
Ouvido em Viseu grupo que realizou mais de 50 furtos no Norte e Centro
Artigo exclusivo do Diário de Viseu - Notícia completa esta quinta-feira
Os arguidos de um grupo suspeito de ter cometido mais de meia centena de furtos foram, esta quarta-feira, ouvidos no Tribunal de Viseu, no seguimento do processo. O caso remonta a um período de cerca de um ano, entre 2022 e 2023, e revela uma atuação organizada e com métodos que foram evoluindo ao longo do tempo.
Segundo o acórdão, tudo terá começado em maio de 2022, quando sete homens, alguns com ligações familiares, traçaram um plano para assaltar casas durante o dia. Enquanto uns entravam nas habitações à procura de dinheiro e ouro, outro elemento ficava no carro, a vigiar as redondezas e pronto para a fuga.
Uma testemunha de um furto em São Vicente de Lafões, no concelho de Oliveira de Frades, contou em tribunal que os suspeitos utilizavam “um BMW cinzento”, mas não conseguiu identificar o condutor nem os restantes elementos na sala de audiências.
O grupo chegou a realizar vários assaltos no mesmo dia. Num dos casos, em Vouzela, terão conseguido levar mais de 8.500 euros em dinheiro e joias, posteriormente revendidos.
De casas a centros comerciais
Com o tempo, o grupo mudou de estratégia e passou a atuar em centros comerciais. O método também evoluiu: utilizavam sacos forrados com papel de alumínio e fita adesiva para evitar que os alarmes disparassem à saída das lojas.
Entre os alvos estavam espaços como Sport Zone, Worten e H&M, em várias cidades do Norte e Centro.
Um dos momentos relatados em tribunal envolveu a loja Sport Zone do Forum Aveiro. O gerente descreveu que “um grupo de quatro homens entrou na loja e, com um saco grande coberto com um casaco, dirigiu-se para a secção de roupa feminina”, o que levantou suspeitas. Quando confrontados, um dos elementos reagiu com ameaças: “Parto-te todo lá fora, parto-te a boca”.
Outro vigilante, agora no caso da loja H&M, contou que, após serem alertados para furtos, tentaram abordar os suspeitos, mas “assim que os abordámos, puseram-se em fuga”.

Acórdão conclui que a maioria dos envolvidos não tinha atividade profissional e que os furtos eram a sua principal fonte de rendimento
Num só dia de janeiro de 2023, o grupo terá passado pela Sport Zone do Arrábida Shopping e pelo Mar Shopping, acumulando dezenas de peças de roupa e sapatilhas furtadas.
Outra responsável da loja, esta localizada em Aveiro, relatou que o grupo atuava de forma discreta, por vezes com “homens, mulheres e às vezes crianças”, retirando peças expostas à entrada. “Na hora de fecho, os colaboradores notaram uma falta notória dessa roupa”, explicou.
Numa fase mais avançada, os furtos passaram também a incluir supermercados. Carne, marisco, queijos e outros produtos eram escondidos no corpo dos suspeitos em zonas sem vigilância, permitindo a saída sem pagamento.
Estes bens destinavam-se, alegadamente, a abastecer um restaurante em Penafiel.
Investigação e condenações
Uma investigação da GNR de Viseu levou a buscas domiciliárias e à detenção dos suspeitos a 25 de maio de 2023.
No total, 17 elementos do grupo foram condenados. Sete cumprem penas de prisão efetiva e os restantes tiveram penas suspensas. O principal arguido, Silvestre Silveira, foi condenado a nove anos de prisão por cerca de 50 furtos. Já Iolanda Soares recebeu uma pena de sete anos e três meses, associada a 29 crimes.
Outros arguidos, como João Cabeças, Xavier Cardoso, Manuel Cardoso, Silvestre Prudêncio e Marta Rosado, foram condenados a penas entre cinco e seis anos.
O acórdão conclui que a maioria dos envolvidos não tinha atividade profissional e que os furtos eram a sua principal fonte de rendimento. “Os arguidos agiram em bando, modo de vida, comunhão de esforços e de intentos”, lê-se também no documento.








