Quando a ansiedade desperta o intestino
Isto acontece porque o intestino e o cérebro se encontram em constante comunicação e, desta forma, qualquer alteração num dos órgãos repercute-se rapidamente no outro.
Esta ligação mostra, assim, que o nosso corpo não funciona como órgãos separados, mas como um sistema único e conectado. O sistema gastrointestinal e o cérebro constituem o chamado eixo intestino-cérebro, uma rede de comunicação da qual fazem parte os nervos, hormonas, mediadores químicos e bactérias intestinais.
No entanto, quando estas manifestações se tornam cada vez mais frequentes e começam a interferir na rotina, importa compreender como devemos atuar e de que forma podemos aliviar o desconforto e agravamento das queixas. Distúrbios neste eixo são bastante prevalentes.
Estudos apontam que aproximadamente 30 a 40% das pessoas com queixas digestivas – como dor abdominal, distensão, diarreia ou obstipação –, apresentam também níveis relevantes de ansiedade. Cerca de 25% têm sintomas depressivos.
A relação intestino-cérebro funciona em ambos os sentidos. Se a ansiedade intensifica o desconforto intestinal, os sintomas digestivos persistentes aumentam a ansiedade e vice-versa.
O stress é também um elemento que pode comprometer o nosso bem-estar intestinal. Perante a exposição a ambientes de maior tensão são libertadas hormonas como o cortisol e a adrenalina, capazes de acelerar ou atrasar, o trânsito intestinal, de aumentar a sensibilidade à dor e de tornar o intestino mais reativo. Por outro lado, alterações intestinais como inflamação ligeira ou desequilíbrios da microbiota (conjunto de microrganismos que habitam no nosso intestino), afetam o humor e provocam uma menor resistência ao stress e à dor.
Diante desta estreita relação, cuidar do corpo e da mente de forma integrada torna-se essencial. Uma alimentação equilibrada, uma boa higiene do sono, a prática regular de exercício físico e o cuidado com a saúde mental podem ajudar a aliviar os sintomas.
Se o desconforto persistir e desestabilizar a sua rotina, é fundamental procurar um médico especialista, para que possa avaliar o caso de forma personalizada e indicar o tratamento mais adequado.





