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Câmara da Guarda não se compromete com regresso do cinema comercial

A exibidora Cineplace encerrou os cinemas que explorava em centros comerciais na Guarda e nas Caldas da Rainha, alegando a aplicação de um Plano Especial de Revitalização

A Câmara da Guarda não se compromete com o regresso do cinema comercial à cidade, mas diz estar a acompanhar a situação que levou ao encerramento das quatro salas existentes no centro comercial local.

“Tanto quanto me foi dado a entender, a empresa está em insolvência, nós não podemos injetar capital na empresa, é ilegal, iríamos todos presos, mas era bom que alguém no país, porque é uma empresa nacional, averigue como se chegou a este ponto”, disse hoje o presidente do município, Sérgio Costa, à agência Lusa.

À margem da apresentação da agenda cultural da cidade no primeiro trimestre de 2026, o autarca realçou que é preciso saber “se foi a falta de público ou os preços demasiado elevados” que estiveram na origem do fecho dos cinemas guardenses e dos problemas financeiros da empresa exibidora.

“Alguém me dizia, um dia destes, que houve recentemente uma estreia nos cinemas de todo o país de um qualquer filme internacional, não me recordo o nome, e que, ao fim de uma semana, esse filme já estava nas plataformas digitais. Quem é que combate isto?”, interrogou.

Sérgio Costa lembra que o fecho de salas de cinema “não é um problema só na Guarda, infelizmente, é um problema em várias cidades do país”.

“Vamos acompanhar a situação, para ver o que é que um futuro próximo nos pode trazer. Mais do que isto não sei falar, por agora”, garantiu.

Questionado sobre se o município vai ponderar promover a exibição comercial de cinema no Teatro Municipal da Guarda (TMG), o presidente da Câmara respondeu que “a questão é sempre quem paga”.

A este propósito, Anabela Matias, chefe de divisão de Cultura da autarquia, acrescentou que o TMG acolhe mensalmente uma sessão de cinema promovida pelo Cine Clube da Guarda.

“O Teatro Municipal tem essa oferta, sempre teve, no pequeno auditório, e continuará a ter enquanto houver esta parceria com o Cine Clube. Não são é filmes de estreia nacional”, recordou.

A exibidora Cineplace encerrou os cinemas que explorava em centros comerciais na Guarda e nas Caldas da Rainha (Leiria), alegando a aplicação de um Plano Especial de Revitalização (PER).

A decisão abrange, no total, oito salas de cinema nos complexos que a Cineplace explorava nos centros comerciais La Vie nas Caldas da Rainha e na Guarda, ficando as duas cidades sem exibição regular de cinema.

À Lusa, fonte da administração dos centros comerciais La Vie disse que na origem da decisão de encerramento está um PER apresentado pela exibidora, tendo em conta que “o modelo de negócio atualmente exigido implica a garantia de números mínimos de afluência de espetadores, condição que tem sido muito difícil de atingir de forma consistente, nos últimos anos”.

Terminado o contrato de exploração dos cinemas com a Cineplace, a administração daqueles centros comerciais adiantou que está a estudar “novas soluções e conceitos que possam responder às expectativas da comunidade local”.

A agência Lusa pediu mais esclarecimentos à Cineplace não só sobre o encerramento destes dois complexos como de outras salas de cinema que a exibidora fechou em 2025, mas ainda não obteve resposta.

Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 a Cineplace explorava 62 salas de cinema em 12 complexos, sendo a segunda maior exibidora, atrás da NOS Lusomundo Cinemas, líder do mercado com 218 ecrãs.

Desses 12 complexos, a Cineplace encerrou em 2025 os cinemas em Portimão e no Algarve Shopping, na Guia, ambos no distrito de Faro, assim como no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal (Setúbal).

A Cineplace é uma marca pertencente à exibidora brasileira Grupo Orient, que opera em Portugal desde 2013, depois de ter assinado um acordo com a Sonae Sierra, proprietária de vários centros comerciais no país.

A Grupo Orient reabriu alguns dos cinemas naqueles centros comerciais que tinham sido explorados pela exibidora Socorama, que entrou num processo de insolvência.

Janeiro 9, 2026 . 13:05

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