A responsabilidade de plantar uma ligação à comunidade
O Académico de Viseu deu, esta semana, um exemplo maior do que o futebol: associou-se à CIM Viseu Dão Lafões numa ação de reflorestação de grande escala, que plantou 500 carvalhos-alvarinhos numa das zonas mais devastadas pelos incêndios de 2017, em Vouzela. Foi uma iniciativa que envolveu escolas e autarquias, técnicos sapadores florestais, também o CD Tondela, a Liga Portugal, a Associação de Futebol de Viseu e parceiros regionais — estão todos de parabéns! Deram um sinal claro de que é ter voz, responsabilidade e impacto real no território que representam.
Num tempo em que os clubes profissionais são avaliados não apenas pelo que fazem em campo, mas também pela forma como devolvem valor à sociedade, o caso particular do Académico afirma-se como referência. A presença da estrutura diretiva da SAD e dos jogadores, incluindo o capitão Luís Silva, não foi protocolar: foi pegar na enxada, e foi um gesto de pertença. Um clube que conhece a sua terra, reconhece as suas feridas e participa ativamente na recuperação do seu património natural é um clube que cresce em prestígio, credibilidade e notoriedade.
É justo dizer-se que esta foi apenas mais uma de muitas iniciativas em que o Académico se envolveu, nos últimos anos, a partir do momento em que a nova liderança da SAD, além da ambição desportiva, impôs também uma forte vocação social, de ligação à comunidade.
Campanhas com a Associação de Jovens Ecos Urbanos, de São João da Madeira, o movimento “Arrisca-te a Cuidar”, tambêm no âmbito da sustentabilidade e responsabilidade ambiental, ou a última iniciativa em torno do lançamento da camisola de celebração do 111º aniversário, que evoca e celebra a história do clube, são apenas os exemplos mais recentes.
A presença em Vouzela, portanto, não foi um episódio isolado. Insere-se numa ambição maior: tornar o Académico de Viseu um agente de coesão social, um ponto de encontro entre gerações, instituições e comunidades.
O desporto aproxima, inspira e educa. Quando um emblema com mais de um século de história se envolve em causas ambientais, sociais ou educativas, constrói algo que nenhuma vitória pode garantir por si só: uma base de apoio sólida, emocional, orgulhosa e duradoura. O Académico deve ser isso mesmo: presente, comprometido, ativo.
Um Académico que não espera ser chamado, mas que toma a iniciativa. Que percebe que a ligação à região não se faz apenas nos 90 minutos, mas no dia seguinte, no trabalho com todos os parceiros, desde as escolas, aos agentes públicos e privados.
O sucesso desportivo, por si só, será sempre curto. E finito. Plantaram-se 500 carvalhos. Plantaram-se, também, sementes de identidade, responsabilidade e futuro.
O Académico, enquanto luta para confirmar o seu regresso ao convívio dos grandes, deve ser muito mais do que um clube. Terá que ser capaz de mobilizar, de unir e de liderar. É com essa força — social, moral e comunitária — que se constroem os clubes distintos e maiores.





