
Ação de reflorestação junta autarcas, alunos e clubes da região em Vouzela
Sabemos (bem) que “o futebol e o desporto movem paixões” e, na verdade, foi com essa energia que hoje autarcas, alunos e atletas da região meteram ‘mãos à obra’ para recuperar parte de uma área devastada pelos incêndios de 2017.
Foi dia de ação de reflorestação na Mata do Castelo, em Vouzela, uma iniciativa da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões que reuniu a comunidade para uma única missão: devolver à natureza aquilo que os últimos fogos destruíram.
Plantaram-se 500 carvalhos-alvarinhos pela mão de cerca de 50 alunos da Escola Secundária de Vouzela, atletas do Académico de Viseu e do CD Tondela, autarcas, representantes da Liga Portugal, e piloto viseense Hugo Lopes, representado no evento pelo seu irmão, Rúben Lopes, entre outros parceiros. Uma ação que, como não poderia deixar de ser, contou com o apoio dos sapadores florestais da CIM, os verdadeiros vigilantes da “nossa floresta”.
A plantação decorreu no âmbito da consolidação do projeto europeu LIFE Nieblas, premiado a nível europeu pela sua inovação na recuperação de áreas afetadas por desertificação e fogos florestais.
“Escolhemos este sítio porque foi um espaço que foi completamente devastado pelos incêndios de 2017. A partir daí, tivemos uma estratégia intermunicipal (…) e um trabalho muito próximo com aquilo que tem a ver com a resiliência da nossa floresta, associada à área do ambiente e à questão das alterações climáticas”, disse o secretário executivo da CIM Viseu Dão Lafões aos jornalistas, relembrando a importância de mobilizar a comunidade para a valorização das florestas.
Por essa razão, “tentámos envolver a comunidade e todos estes parceiros, tendo também cá os nossos jovens”, até porque, reconheceu Nuno Martinho, “sabemos que o futebol e o desporto, em geral, movem paixões e que, muitas vezes, servem de exemplo”.
No terreno, estiveram cerca de 100 pessoas, incluindo 50 estudantes, onde a reflorestação, referiu, “é apenas uma das ações de um projeto mais amplo que temos desenvolvido com os nossos municípios, mas mais importante do que isso, trata-se de um trabalho sustentado e organizado”.
Também o presidente da Câmara de Vouzela, Carlos Oliveira, relembrou o “flagelo” dos incêndios de 2017 e reforçou a importância de “recuperar este território”. “Estamos a fazer uma ação de reflorestação com recursos a espécies autóctones e pretendemos recuperar este território que é propriedade da câmara municipal com mais de 40 hectares, a chamada Mata do Castelo”, referiu o autarca, frisando que “queremos continuar a dar vida à nossa região para termos mais atrativos num território de baixa densidade como é o caso de Vouzela”.
A floresta, relembrou, “é um pilar de desenvolvimento rural estratégico para o concelho” e, ano após ano, é necessário “fazer atividades de reflorestação e mosaicos de gestão de combustível”.
Já a escolha do carvalho-alvarinho para esta ação deve-se à sua grande resistência face aos incêndios florestais. “Esta espécie demora mais tempo a crescer, mas é muito mais resistente também ao atravessamento dos incêndios. Temos essa experiência com várias áreas de carvalho e castanheiro que foram atravessadas por incêndios já recuperaram e, portanto, queremos apostar também nesta espécie”, defendeu o autarca.
O objetivo é agora “ trabalhar o território pela positiva, com diversas espécies bem colocadas no território e, portanto, com produtividade”, concluiu Carlos Oliveira.
Quando o futebol é muito mais do que jogar à bola
Aos jornalistas, o capitão do Académico de Viseu, Luís Silva, reconheceu que “é importante que os clubes de futebol devido à visibilidade que têm, associarem-se a este tipo de iniciativas”. O Académico é mais do que um clube de futebol, representa uma região e nós temos a responsabilidade de estar presente neste tipo de ações e de ajudar a comunidade”.
Também o capitão do CD Tondela, Bebeto, disse que acompanha de perto o flagelo dos incêndios e destacou o impacto da ação.
“Jogo no CD Tondela desde 2020 e tenho assistido de perto ao flagelo dos incêndios todos os verões. Estamos aqui para reavivar o que está morto, vai ser bom para o meu filho, para o meu sobrinho e para todos”, afirmou, garantindo que “é com muito gosto que hoje (ontem) estou aqui, juntamente com o meu clube, a ajudar do renascimento florestal desta região que já sinto como se fosse a minha casa”.







