
Distrito de Viseu (não) pode ficar sem distribuição de jornais
Viseu integra o conjunto dos distritos onde a distribuição diária de jornais pela VASP pode vir a sofrer ajustamentos, o que, a acontecer, colocará em risco a sobrevivência dos jornais regionais deste território.
A informação foi hoje divulgada pela administração da empresa, que admitiu estar “a avaliar a necessidade de fazer ajustamentos na distribuição nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança”.
Em comunicado, a VASP refere que “atravessa, neste momento, uma situação financeira particularmente exigente, resultante da continuada quebra das vendas de imprensa e do aumento significativo dos custos operacionais, que colocam sob forte pressão a sustentabilidade da atual cobertura de distribuição de imprensa diária”.
João Azevedo 'preocupado' lança desafio ao Governo
Em declarações ao Diário de Viseu, o presidente da câmara viseense João Azevedo “vê com preocupação a possibilidade das populações ficarem impedidas de ter acesso à informação, por razões burocráticas e processuais”.
“Espero que o Governo encontre rapidamente uma solução que permita desbloquear esta situação, porque só bem informado e com boas fontes, como são os órgãos de comunicação social, o cidadão pode tomar as suas decisões do quotidiano com razão e ponderação”, sublinhou o edil.
Esta conjuntura “tem impacto direto na viabilidade da distribuição diária de imprensa em pontos de venda, sobretudo nas regiões do interior do país, obrigando a empresa a reavaliar o seu modelo operativo e logístico”, adianta a VASP – Distribuição e Logística.
A empresa “reafirma de forma inequívoca o seu compromisso com o acesso universal à informação, entendendo-o como um pilar essencial da coesão territorial, da igualdade de oportunidades e do exercício pleno da cidadania democrática”, adiantando que “a restrição desse acesso penaliza de forma injusta as populações de territórios de baixa densidade e aprofunda as assimetrias regionais”.
Apesar deste compromisso, “e mantendo total respeito pelos acordos assumidos com editores e pontos de venda, a empresa vê-se obrigada a estudar uma revisão da atual configuração de algumas rotas de distribuição, de forma a salvaguardar a continuidade global da operação e evitar um cenário de insustentabilidade financeira que colocaria em risco a totalidade da atividade da distribuição de imprensa em Portugal”.
A VASP sublinha que “nenhuma decisão definitiva foi ainda tomada, estando esta avaliação em curso com o objetivo de encontrar alternativas que minimizem o impacto sobre editores, pontos de venda e populações”, e manifesta “total disponibilidade para continuar o diálogo construtivo com editores, entidades públicas e demais parceiros institucionais” para encontrar soluções que “permitam preservar o acesso à imprensa pela população e evitar um cenário sem precedentes em democracia”.
Entretanto, a presidente da Câmara de Bragança já veio a público defender que o Governo deve tomar medidas, impedindo uma redução da distribuição de jornais no distrito. Questionado sobre a situação, o ministro da Presidência afirmou “que qualquer solução pública que ajude a assegurar a distribuição de imprensa no território nacional implicará sempre mecanismos concorrenciais e não passar cheques a uma empresa em concreto”.
Leitão Amaro, que tutela a pasta da comunicação social, garante que o Governo tem uma “preocupação com a coesão territorial e o acesso, em todo o território, a comunicação social de qualidade, produzida profissionalmente e livre”.No entanto, ressalvou que não quer “criar nenhum instrumento de dependência” que envolva o dinheiro dos contribuintes direcionado para uma empresa em específico.







