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Câmara de Resende perde dois eleitos nas próximas eleições autárquicas

Presidente da autarquia, Garcez Trindade, diz estar desiludido com a política. Concelho deixará de ter sete vereadores e passará a ter apenas cinco

O presidente da Câmara de Resende diz estar “completamente desiludido” com a política, após incumprimento de promessas do Governo do seu partido (PS), que não construiu uma estrada essencial para inverter a perda de população do concelho.

“Completamente desiludido e desinteressado. Vou sair, porque já fiz os três mandatos, mas também não me candidataria. E até ao final do mandato vou cumprir com as minhas obrigações, mas não vou andar em campanha nem nada da política”, afirmou Garcez Trindade.

Em causa, acrescentou, está “o incumprimento da promessa feita pelo governo socialista”, o seu partido, pelo qual foi eleito, e que tem maioria no Município de Resende há 24 anos, sobre a construção de uma estrada, de sete quilómetros, entre Baião e a ponte Ermida.
Garcez Trindade explica desta forma a perda de população e, consequente perda de mandatos no executivo municipal, que passa de sete para cinco vereadores, uma vez que ficou abaixo dos 10 mil eleitores.

Segundo o Jornal de Notícias (JN), há quatro concelhos que, por perda de população, diminuem o número de mandatos - Alcácer do Sal (distrito de Setúbal), Amarante (Porto), Melgaço (Viana do Castelo) e Resende (Viseu), que passa de 10.106 para 9.637 eleitores.

Para o autarca, “a falta de acessos” ao concelho “é o grande entrave” para a atração de pessoas e da indústria e o incumprimen­to daquela promessa “continua a deixar Resende abandonado”.

A redução do número de membros do executivo municipal é mais “uma penalização para o concelho. Funciona tudo ao contrário. Resende não tem tido hipótese nenhuma de desenvolvimento, porque não tem vias de acesso decentes. As que temos são estreitas e a que foi prometida olhe!...”, reforçou.

Para Garcez Trindade, o incumprimento desta promessa deixou Resende “sem ligações, afastado das principais vias, porque por essa estrada depressa se estaria na A4 e seria possível atrair empresas, indústria e pessoas, assim não, claro”.

“Temos uma única indústria, de engarrafamento de água, porque temos água na serra, se não nem isso teríamos, porque ou passa um camião ou os carros. A via não dá para os dois ao mesmo tempo”, afirmou.

Em Resende, a principal atividade é a agricultura, principalmente a cereja, e os serviços, “porque não é possível ter mais nada”, sustentou.

O autarca, que já tinha admitido que se sentia abandonado pelo PS, sublinhou que “o princípio de uma boa gestão política é a integridade, portanto, se prometeu cumpre e se não pode cumprir, não promete”.

“Prometer, eventualmente, com objetivos eleitoralistas e depois não cumprir é horroroso, é desprestigiante, é o pior que pode acontecer” perante uma comunidade municipal ou naci­onal, conclui Garcez Trindade.

Junho 30, 2025 . 07:50

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