
CAOS de Viseu inaugura a exposição “Cabinet d’Amateur”
A casa d'artes e ofícios (CAOS) de Viseu inaugura amanhã, pelas 21h30, a exposição ‘Cabinet d’Amateur’, da autoria de de João Paulo Serafim, que marcará presença no evento.
De acordo com o artista, a mostra vai ao encontro da sua prática artística, que nos últimos anos se tem caracterizado por um grande ecletismo e uma profusão de meios, passando pela fotografia como matriz do seu pensamento, pela imagem em movimento e pela utilização de objetos de diferentes tipologias.
O título da exposição é uma referência à obra literária ‘Un cabinet d’amateur, histoire d’un tableau’, de Georges Perec e datada de 1979.
A mostra apresenta-se como uma instalação que reflete os trabalhos realizados nos últimos anos, numa versão ligeiramente alterada. “São exposiçõs dentro de uma exposição, seguindo o conceito artístico e literário de ‘mise en abyme’ utilizado por Perec na referida obra. Este é um olhar para o fenómeno do ‘Cabinet de Curiosités’ ou ‘Wunderkammer’. A ideia por detrás destes gabinetes de curiosidades e de maravilhas surgidos na Europa Renascentista, era a de encapsular o mundo num pequeno espaço, organizado por categorias como naturalia ou artificialia, entre outras, definidas pela primeira vez em tratado por Samuel Van Quiccheberg, naquele que é considerado um dos primeiros textos teóricos sobre museologia”, explica João Paulo Serafim.
O autor propõe uma releitura contemporânea desse gesto de acumulação, de fragmentação e de evidenciação do bizarro presente nesses gabinetes, na qual ‘justaposições anacrónicas’ de imagens podem sugerir ligações íntimas e secretas e permitir uma leitura subjetiva. “Tal como estas ‘Wunderkammern’ pretendiam ser microcosmos que espelhassem o universo, pretendo que esta mostra seja um microcosmo do meu universo artístico e da pesquisa que tenho vindo a desenvolver ao longo dos anos, e que passa pela especificidade do medium fotográfico, tendo um enfoque na dialética entre espaço público e privado, nas coleções e nos seus respetivos contextos culturais, na ecologia e no mundo natural, passando pela preservação das espécies”, conclui.








