classificados assinaturas publicidade WEB MAIL

jornais do grupo

 

últimas 7 edições

 

 

 

Sabado, 28 de Fevereiro 2009

 

 

Número de casos de dependência de álcool tem vindo a aumentar
O Centro de Alcoólicos Recuperados do Distrito de Viseu já fez o balanço das actividades de 2008 e registou um "aumento de cerca de 15 por cento no número de utentes", explica um dos responsáveis pelo Centro, José da Silva.
Segundo os dados contabilizados, "em 2008, o Centro deu apoio a 706 utentes e realizou 68563 quilómetros para prestar esse mesmo apoio". "Nós percorremos o distrito a ir a casa das pessoas prestar a apoio e não só, também as vamos buscar para as levarmos a Coimbra, às consultas na Unidade de Alcoologia, que pertence ao instituto da Droga e Toxicodependência". José da Silva está convicto que, "ainda assim, o Centro poupa muito dinheiro ao Estado, uma vez que por cada vez que se vai a Coimbra não se leva um só utente, chegam a ir oito de uma só vez, de forma a rentabilizar tempo e dinheiro", justifica.
Dinheiro que não tem sido em abundância, uma vez que "não tem havido muito apoio, felizmente há algumas entidades que estão sempre lá mas, nem sempre chega para as necessidades".
José da Silva faz questão de referenciar que, para além das verbas do Estado, enquanto IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social), do apoio de quatro autarquias e outras tantas freguesias - Viseu, Moimenta da Beira, Penalva do Castelo e Nelas e as juntas de freguesia de Santa Maria, São José, Coração de Jesus e Repeses (Viseu) - "o trabalho que o Centro tem feito em todo o distrito deveria merecer mais apoios institucionais de mais localidades". O responsável diz, ainda, que "se não fosse a óptima cordialidade e apoio, a todos os níveis, dos gerentes do Santander Totta, não seria possível concretizar e conseguir muito do que se tem feito".

Desemprego tem
aumentado número
de alcoólicos

José da Silva defende, ainda, que "esta crise que tanto se fala agora, já está instalada há muito tempo, só que havia tanto facilitismo que as pessoas nem percebiam, como acabaram os facilitismos, há mais dificuldades e isso tem agravado algumas situações". No entender deste responsável, "o aumento de desemprego que, tem sido gradual e muito lento e assim vai continuar, tem levado muitas pessoas a refugiarem-se no álcool".
"O que é um erro, porque agrava a condição financeira da família e ainda arranja mais problemas, não só os que são provocados pelo álcool, como também a despesa acrescida do seu consumo", entende o tesoureiro do Centro. José da Silva refere que "o aumento deste flagelo tem-se verificado quer nos homens, quer nas mulheres".
No que diz respeito ao sexo masculino, "regra geral atinge homens de famílias com problemas financeiros que se refugiam no vinho e na cerveja mas, cada vez mais há registo de mulheres a ficarem dependentes do álcool, embora por razões e bebidas diferentes". "As mulheres consomem mais as chamadas bebidas brancas, que são, também, mais caras, e por razões de auto-estima", aponta. No decorrer de 2008, dizem as estatísticas do Distrito de Viseu que os maiores consumidores de álcool registaram-se entre os 25 e os 35 anos e depois, novamente, a partir dos 45.

Centro colabora com
a justiça e com
a entidade patronal

José da Silva refere que "alguns dos casos de violência doméstica que se registam são derivados ao consumo de álcool e o Centro, nestes casos, também tem um papel muito importante".
"Temos uma colaboração muito estreita e cordial com a GNR que nos encaminha indivíduos que sofrem deste flagelo e a quem nós marcamos logo a primeira consulta em Coimbra e tratamos de todo o processo de internamento para o primeiro tratamento", explica. Depois da alta médica, o Centro continua a prestar apoio e a fazer visitas domiciliárias, no sentido de acompanhar, não só o utente, como também a própria família. Uma colaboração que chega a algumas entidades patronais. "Temos casos de indivíduos que ficam sem carta por condução sob o efeito do álcool e temos conseguido negociar com a entidade empregadora, no sentido de tentar com que a pessoa realize outra função no decorrer desse período para que possa garantir o sustento familiar e não venha para o desemprego. Temos tido entidades muito compreensivas que têm colaborado connosco e as pessoas, entretanto, iniciam o tratamento de desintoxicação".
Aquele responsável refere que "cada vez mais é a própria pessoa que tem o problema de álcool que procura o Centro, embora haja alguns utentes que estão no Centro porque foi a família que fez o contacto". Diz ainda que "é muito importante que o próprio meio onde residem os apoie, embora eles tenham que dar provas dessa confiança e, infelizmente, alguns acabam por ser desafiados por colegas e voltam ao consumo".  

 

 

Isabel Marques Nogueira

voltar página anterior

 

 

 

 
aveiro
site em destaque

 

 

 
 

director Adriano Callé Lucas
Rua Alexandre Herculano 198 1.º E 3510 VISEU 3510-033 Viseu
diarioviseu@diarioviseu.pt