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Todos os anos surgem na região 600
novos casos de doença renal crónica
"A doença renal crónica é silenciosa, agressiva e tratável em fases iniciais, por isso, é preciso referenciar as pessoas à nefrologia precocemente". Foi esta a mensagem que os especialistas em doenças renais (nefrologistas) transmitiram ontem, no Hospital de São Teotónio, durante uma conferência que assinalou o Dia Mundial do Rim (celebrado na segunda quinta-feira de Março). Jesus Garrido, médico nefrologista responsável pela Unidade de Hemodiálise do Hospital, adiantou que a consulta externa desta especialidade recebe 12 novos casos de doença renal crónica todas as semanas, o que perfaz um total de aproximadamente 600 novos casos por ano. Os centros de diálise de Viseu, Mangualde e da Régua, os três existentes na região, tratam, actualmente, 300 doentes. Contudo, segundo a coordenadora da Unidade de Nefrologia e Diálise do Hospital de Viseu, Tânia Sousa, a preocupação incide sobre os doentes que não são seguidos pelo nefrologista, pois quando chegam à consulta já vão num nível muito avançado da doença e o único caminho é iniciar tratamentos substitutivos da função renal. Por isso, os nefrologistas apelaram aos médicos para alertarem os utentes para estas doenças de modo que, à primeira suspeita, possam ser de imediato encaminhados à consulta de nefrologia. A região Centro é a que mais referencia doentes ao nefrologista. "Queremos ver os doentes numa fase inicial, no nível dois ou três, em que ainda podemos fazer alguma coisa para prevenir a progressão, e não quando já estão no estádio cinco em que não se consegue fazer nada porque já estão numa fase terminal", frisou o nefrologista Jesus Garrido durante a sua intervenção. Nessa fase terminal em que a doença já é irreversível, a única opção é começar os tratamentos substitutivos da função renal, ou seja, hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal. Em Portugal, há 10 mil doentes a fazer estes tratamentos, o que acarreta um custo de 280 milhões de euros por ano. Os especialistas alertaram para o facto de ser imprescindível diagnosticar precocemente a doença pois, caso contrário, nos próximos anos, os doentes crónicos a necessitar de tratamentos substitutivos serão cada vez mais e os recursos financeiros cada vez menos.
Doença sem sintomas Por ser silenciosa e indolor, a doença renal crónica é, muitas vezes, desvalorizada. Os sintomas da doença só surgem na fase em que as pessoas já estão em tratamento e, ao contrário do que muitos pensam, urinar em abundância pode indicar doença renal. Assim, os médicos explicam que a melhor forma, e mais simples, de detectar uma doença renal é através das tiras reactivas (aquelas utilizadas para detectar infecções urinárias, por exemplo) e Sumária urinas. Para prevenir esta patologia, os nefrologistas aconselham a comunidade a ter cuidado com a tensão arterial e com a diabetes (as maiores causas de doença renal crónica), a ter uma alimentação saudável com pouco sal e poucas gorduras e a fazer exercício físico regularmente. A doença tem mais prevalência nos homens e em pessoas com idade superior a 65 anos. Em Portugal, um em cada dez habitantes tem doença renal crónica, isto é, cerca de 800 mil portugueses sofrem desta patologia e a maior parte desconhece que é doente.
Catarina Tomás Ferreira
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